Resenha: “Fahrenheit 451” – Ray Bradbury

Fahrenheit 451

Autor: Ray Bradbury

Editora: Globo

Número de página: 215

Avaliação: 4.5 / 5

Imagine uma época em que os livros configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros – profissionais que outrora se dedicavam à extinção de incêndios, mas que agora são os responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se dissemine como praga. Para coroar a alienação em que vive essa nova sociedade, as casas são dotadas de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem “famílias” com as quais se pode dialogar, como se estas fossem de fatos reais.

Este é o cenário em que vive Guy Montag, bombeiro que atravessa séria crise ideológica. Sua esposa passa o dia entretida com seus “parentes televisivos”, enquanto ele trabalha arduamente. Sua vida vazia é transformada quando ele conhece a vizinha Clarisse, uma adolescente que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo. O sumiço misterioso de Clarisse leva Montag a se rebelar contra a política estabelecida, e ele passa a esconder livros em sua própria casa. Denunciado por sua ousadia, é obrigado a mudar de tática e a buscar aliados na luta pela preservação do pensamento e da memória.

Um clássico de Ray Bradbury, “Fahrenheit 451” é não só uma crítica à repressão política mas também à superficialidade da era da imagem, sintomática do século XX e que ainda parece não esmorecer.

Meu primeiro contato com o autor ocorreu através de um livro de contos chamado “A bruxa de Abril”. Apesar de dar o título à obra, não foi esse o texto que mais me chamou a atenção, e sim “A savana”. Achei genial a ideia por trás desse conto, que me instigou a ler outras obras desse escritor.

Decidi começar pelo famoso “Fahrenheit 451”. Esse livro conta a história de uma época na qual os livros são proibidos, e a tarefa dos bombeiros é queimá-los. Guy Montag é um bombeiro que sempre sentiu prazer em tocar fogo nas obras, até que conhece uma adolescente um tanto fora dos padrões chamada Clarice McClellan. Ela muda seu jeito de pensar e o faz refletir sobre a sociedade em que eles vivem (que não é tão distante da nossa).

Desde o início do livro, senti um aperto no coração com os livros sendo queimados. Apesar disso, achei a história envolvente e fácil de ler. Logo no prefácio, já nos é informado qual será o final do livro, mas isso não me perturbou nem um pouco, porque, para mim, essa é uma obra que vale a pena ler não devido ao desfecho e à vontade de saber o que vai acontecer, mas devido à leitura em si, que nos leva a refletir sobre diversos assuntos.

“Aí está, Montag. A coisa não veio do governo. Não houve nenhum decreto, nenhuma declaração, nenhuma censura como ponto de partida. Não! A tecnologia, a exploração das massas e a pressão das minorias realizaram a façanha, graças a Deus!”

Minha nota foi 4.5 porque senti falta do desenvolvimento da personagem Clarisse. Fiquei curiosa para saber o desfecho da história dela. Tanto que, no final do livro, Ray Bradbury fala que também gostaria de ter acrescentado mais informações sobre a garota, mas que não queria mudar a obra original.

Essa foi uma leitura que gostei bastante, e fiquei com pena de tê-la terminado tão depressa.

Bem, é isso. Até a próxima!

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5 comentários sobre “Resenha: “Fahrenheit 451” – Ray Bradbury

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